Caos

Não sou nenhum modelo para me exibires as tuas amigas, eu sou meiguinho e fofinho, tenho a minha barriga que te dá conforto, tenho sempre um truque para te deixar o mais belo sorriso nos lábios, sou preguiçoso, é um facto, odeio o ginásio, prefiro ficar na cama contigo enrolado a fazer-te a mulher mais feliz do mundo, e acredita que fazemos muito exercício…

Sou como sou, uma imperfeição que encaixa na tua imperfeição de uma forma perfeita, os meus defeitos encaixam perfeitamente nas tuas virtudes, eu adoro cozinhar e tu detestas a cozinha, e por pior que eu cozinhe, estas sempre ali para me ajudar, estas ali com aquela garrafa que escolheste com o teu bom gosto, que abriste com o teu jeito, que serviste nos copos e me deste em mão a troco de um beijo enquanto me perco entre tachos e panelas…

Gostamos de coisas tão diferentes e no entanto somos tão iguais, das danças que dançamos ali perto do carro no meio da rua enquanto chove, como duas pessoas que eram tão diferentes podem ambas amar tanto dançar enquanto chove, só os loucos o fazem e eu sou tão louco por ti, como tu és louca por mim…

Eu sou o caos da casa, tudo espalhado e desarrumado, tu fã da arrumação, da limpeza, e eu ali com a mão no aspirador para te ajudar a arrumar, de limpeza em limpeza, de arrumação em arrumação, por vezes no meio de tanta arrumação, trocamos beijos sem vinho, por vezes trocamos o aspirador por uma sessão de exercício na cozinha ainda por arrumar, se tudo começa por um beijo, um abraço, um afago, uma caricia, outro beijo, e as coisas que um aspirado não consegue de forma alguma roubar, e as roupas que se espalham novamente, a cama arrumada que se desarruma, o calor, a vontade, tudo se consome como se liga…

Somos como somos, tantos defeitos ou virtudes, palavras tímidas roubadas num beijo, sentimentos trancados num abraço, arrumações numa casa, cozinhar um amor, é isso que é a vida, é para isso que nascemos…